Eu vou ser o mais franco possível sobre o mais novo filme de Resident Evil que chegou aos cinemas agora em setembro, e, dizer que enquanto o filme é muito bom em diversos aspectos (exceto o final, o final é bem bosta na minha opinião, mas parece consistente com o diretor de A Hora do Mal - que, vale lembrar, eu ri do final no ano passado, aqui eu não ri mas, ainda assim é um final bosta), existe algo nele que me saltou mais aos olhos que qualquer outra coisa.
Esse filme parece assustadoramente com um extra, não é? Quer dizer, compre a edição deluxe de colecionador de Resident Evil (Réquiem, lançado mais cedo esse ano, curiosamente) e receba um documentário e o curta-metragem especial... Sabe? Isso não parece com um filme propriamente dito.
Nem digo isso pela falta de astros conhecidos ou pelo falto que é tão curto quanto o filme do Gaguinho com o Patolino (de 1:31 h contra a 1:34 deste) ou mesmo que os efeitos especiais são esparsos e pouco utilizados (o que, honestamente funciona a favor do filme). O que me chama a atenção é quanto o filme funciona de maneira tangente à história dos jogos, e, justamente por isso pareça tanto com um extra de edição de colecionador ou box.
Só que me pareceu, principalmente depois da reação extremamente positiva do filme do Coyote vs Acme, o que foi um baita de um tiro no pé do estúdio que tentou boicotar o filme, que, o bônus com a edição de colecionador ganhou mais cenas e foi promovido a longa metragem para lançamento nos cinemas, talvez tenham feito o material com um orçamento mais baixo e não fizeram muito esforço para promover e fizeram intencionalmente algo para se distanciar dos últimos desastres cinematográficos da franquia.
Provavelmente miraram num orçamento mais baixo, numa produção que pouco ou nada tem em comum com a história dos jogos (é beeeeeeem tangente, bem sabor Resident Evil) para jogar algo pro ar e ver se dá certo.
Sei lá se o Thiago Braga ou outros "fãs" que vão ficar bravos que não é historicamente correto com o filme (droga, eles tem um cientista negro e uma mulher mercenária, onde já se viu), só que, e isso é incrivelmente importante, depois de toda uma franquia com de filmes minimamente baseados nesta mesma série mas com a Mila Jovovich com super poderes matando zumbis, será que a gente pode efetivamente comentar ou discutir se o material é fiel ou não à fonte?
Principalmente, e, eu reforço, quando adaptar jogos de videogame para filmes remove o elemento mais interessante de suas estruturas - que é a interatividade - e justamente nisso precisam modificar sua estrutura para se adaptar ao formato e público.
Se aparece um personagem como Claire Redfield ou Leon Kennedy numa adaptação mais fidedigna, o público já sabe o que esperar da história, e, mais importante, sabe que não importa o que aconteça durante o filme, esses personagens vão sobreviver e chegar bem ao final (até porque eles precisam chegar às continuações). E para o horror, essa armadura de trama protegendo o protagonista, bem, isso é bastante difícil narrativamente para formar um bom filme e história.
O terror depende da imprevisibilidade do que possa acontecer com os personagens em qualquer dado momento (algo que, nos jogos é efetivo, afinal o personagem pode ser derrotado em instantes mesmo pelo inimigo mais bobo e ridículo - droga, às vezes mesmo numa cena não jogável porque você se distraiu e não viu um prompt rápido piscando para apertar determinado botão), e, justamente nisso vem o brilhantismo de um filme que é tangente, que existe no mundo de Resident Evil e conta a história de uma pessoa comum, sem treinamento militar ou condições particularmente especiais para sobreviver à essa ameaça, se deparando com elementos comuns à história dos jogos (Umbrella, Raccoon City e etc), e apresentando migalhas de informações que montam um quadro maior, mas, que não significam particularmente muito mais no grande esquema das coisas (o protagonista é um mero entregador que na maioria das vezes sabe menos sobre o que está ocorrendo ao seu redor que o público que jogou todos os 9 jogos da franquia e spinoffs).
Dito isso, o público não sabe que tipo de perigos espreitam o caminho desse entregador, afinal essa é uma história diferente do que já conhecemos da franquia, e a jornada do protagonista apresenta surpresas e mistérios pelo caminho que o público não tem como imaginar (afinal, não é um caminho já trilhado).
Vale muito a pena conferir, mesmo para quem nunca gostou da franquia (seja pelos jogos, seja pelos filmes) ainda que pra mim tenha uma cara de material bônus, e, o final não tenha funcionado pra mim.

